Por que essa merda de sangue não para de correr?
Corre quente. Fervendo. Queima. Marca.
A minha marca no corpo.
terça-feira, 13 de março de 2012
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Dia 24.12... Mil novecentos e noventa e trá lá lá
Saída: Interior
Destino: Cidade da garoa
Fazer as malas, colocar as crianças no carro e seguir viagem! A viagem não era tranqüila, mas agradável. A mais velha apoiada nos bancos da frente conversando com os pais, e puxando a brincadeira que duraria metade da estrada.
As palavras soltas no ar lembravam músicas, e as pequenas cantarolavam no banco de trás. Pai e mãe participavam com músicas antigas, e já conhecidas pelas meninas.
Era a vez das músicas de natal...Jingle Bells, Snowman, Santa Claus e por aí vai! Quer dizer, ia...
Após longas e divertidas horas de viagem, era a vez das apostas. A que horas exatamente passariam pelo monumento de entrada de São Paulo! Quase impossível acertar!
Chegaram à casa da vovó e do vovô! Aquela árvore cheia de enfeites, luzes e presentes! E aquele ar sempre úmido e mágico no terraço!
As meninas mal chegavam e já iam para a árvore tentar adivinhar o que tinha em cada pacote de presente. Apalpavam, chacoalhavam... A família reunida na cozinha fazendo a salada, o avô de olho no pernil e tender, a avó arrumando a mesa (ah! Que mesa perfeita. 100% etiqueta!), a tia fazendo palhaçada e os tios aprontando com as meninas.
Hora do jantar! Ou melhor, da ceia de natal. Todos se sentavam à mesa, compartilhando a comida, e conversando sobre a vida. O tom de felicidade estava entre os familiares.
Após a ceia, todos se reuniam em volta do presépio. Hora de agradecer o ano que se passou e pela maravilhosa família que ali se reunia. Belas palavras ditas pela avó!
As duas crianças iam para o quarto que fica no segundo andar, a fim de se fantasiarem para a festa de Natal! A mais velha se vestia de papai Noel, com direito a barba de algodão, enquanto a mais nova era o duende, com direito a orelhas pontudas feitas de papel.
Desciam com o saco de presentes distribuindo alegria sem limites! E a troca de presentes começava... Era amor disfarçado em brinquedos, roupas e apetrechos!
Panettone e Eggnog para o papai Noel no fim da noite e a espera por uma manhã de natal com dois presentes de baixo da árvore!
25.12... 2011
Sem família reunida na viagem; sem brincadeiras no carro; a eterna umidade e magia no terraço da casa dos avós; sem papai Noel e duendes...
Ceia, presentes, família...
Bisnaguinha e Iogurte debaixo da árvore... ele não veio!
Postado por Heloisa Emy às 23:29 0 comentários
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
O vento balança suavemente as folhas das árvores. Folhas amareladas. E elas vão caindo aos poucos. É fim de tarde. O céu combina com a cor das folhas. Ele está naquele tom vermelho/amarelado. E a noite vem chegando devagar.
Os pássaros voam em bando a procura de uma árvore, talvez aquela primeira, para que possam passar a noite. Eles voam e cantam. A mistura deles, de suas cores, tipos e cantos é uma bela orquestra com uma fotografia quase indescritível.
Agora a noite sobe depressa. A bela sinfonia antes escutada vai diminuindo.
Chega você, noite misteriosa, quase imperceptível e sussurra em forma de assobio do vento dizendo que hoje vai ser diferente.
As horas passam e poucas pessoas andam pelas ruas, antes carregadas de carros, pensamentos e sentimentos. As luzes vão diminuindo.
Mas ao longe te vejo. Ah! Como brilha! Um parque. Você está a balançar, sento-me junto e lá ficamos; quietos. A noite passa diante dos seus olhos e a vida diante dos meus.
Agora é o sol quem nasce, “desvirginando a madrugada”. Estou nua e os carros voltam a passar. Uma sensação de leveza toma o corpo de quem passou a madrugada deliciando-se de seus ares, segredos e pecados. É um ar leve.E o sol vem iluminar a realidade.
Volto para casa a pé. Um passo de cada vez, com a cabeça ora erguida, ora não. Chego embriagada. Sou santa, sou o pecado. Sou eu, se pergunta. Mas afinal, quem és tu?
Me ajeito nos seus braços e adormeço no sono mais profundo. É você quem procurei a noite toda... Agora você me toma nos braços. Sou sua.
Boa noite meu "mocinho".
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sexta-feira, 3 de julho de 2009
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quarta-feira, 13 de maio de 2009
Durmo com a certeza que te tenho em meu ventre...
Sinto-te tão internamente.
Quero te proteger, então me encolho e te envolvo em meus contornos.
Te olho e meus olhos se enchem de lágrimas, quero te tocar, hesito. Não consigo, e por que não?
Logo eu que nunca te quis, na verdade ainda não quero, então talvez seja por isso. Agora é você quem olha, e nada mais importa, te tenho em meus braços. E sinto que você foi o que eu sempre esperei.
É você pequena, é você que completa meu vazio. Eu, sujeito faltante, você, objeto de desejo, meu grande outro. Para você, sou eu seu grande outro, quem te completa. Somos um só.
A dor nos braços da perda do filho, de tanto esticá-lo para alcança-te, te procuro, mas não te encontro.
Dizem-me:
- Não percebe? Ele já foi muito antes de ter chegado.
Outros
- Não vê? Ele não existe mais, virou pó.
Quando foi que te tiraram de mim, quando foi que te perdi? Foi na imensidão da vida, por entre meus dedos ou num piscar de olhos?
É difícil falar do que não se tem, mas mais difícil é sentir o que não existe. É inaceitável saber que não passou de um sonho. E que jamais vou poder te envolver nos braços, preencher todo espaço, e meu vazio.
Choro calada. As lágrimas escorrem pelo meu rosto de expressão vazia, antes tomado pela calma e alegria ao ver seus movimentos desajeitados e seu sorriso.
Deito, encolhida, com os joelhos em meu queixo, banhada em lágrima e sangue, e ainda te sinto.
Acordo com a tristeza de um ventre murcho e de braços vazios.

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domingo, 15 de março de 2009
As vinte e oito mulheres
Já tive que escrever redações autobiográficas, e na minha opinião, é difícil falarmos quem somos. Somos a junção de tudo, filho de um, pai de outro. Vizinho daquele, amigo desse. O que realmente nos torna únicos é aquilo que chamamos de essência. Há quem acredite que ela é construída, outros acham que nascemos com ela.
Já eu, acredito que nascemos com ela, e que, também, a construímos; um pouco de cada.
Nunca, como hoje, vi a importância que o meio tem na vida de alguém.
O que foi que aconteceu?
Onde foi que vidas seguiram caminhos tão opostos, onde foi que houve a separação? De quem foi a culpa? De quem é o medo?
A maioria delas mal sabe escrever. Mas já sabem de drogas, sabem vender, sabem se vender pra conseguir comprar. Comprar seu vício, sua droga, sua “saída”...
Lendo seus textos, não me pareceram reais. São meninas cheias de sonhos, cheias de culpa, cheias de amor.
Se não todas, mas a maioria relata da sua saudade de casa, da mãe, do colo.
Foi proteção que faltou, foi carinho?
Nem todas têm uma família desestruturada, nem todas são filhas de criminosos, traficantes ou alcoólatras. Todas são filhas, e quase todas são mães.
Naquelas folhas soltas de caderno, havia a infância perdida, havia sonhos... No canto, desenhos de corações, flores, e mimos. Lá se via um futuro, futuro desejado, mas não um certo. “Quando sair daqui vou voltar a estudar”, “quero ser veterinária”, “quero ser médica”, quero ser isso, quero fazer aquilo.
Talvez seus sonhos venham a se realizar um dia, talvez não.
Não posso julgar qual modo de levar a vida é mais fácil, é melhor. Até agora só conheço o meu.
Ter contato com vocês me trouxe um grande aprendizado e senso de realidade. Deixemos de olhar para nosso próprio umbigo, levantemos a cabeça. O mundo está aí e a diversidade nele.
Vinte e oito! Essa é uma pequena amostra das jovens criminosas do Estado de São Paulo.
“Ele tava de joelho, implorando pra viver. A arma tava na minha mão. O meu dedo escapou e apertei o gatilho. [...] O que é uma vida?” Parte integrante de uma das redações. Esta foi a que mais me impressionou. A única que questiona a existência de Deus, enquanto as outras acreditam piamente nele.
Não entendo o amor pelas mães que elas têm, não entendo porque continuar com alguém que te levou para esta vida e que te bate constantemente, não consigo entender porque a maioria dessas meninas voltam para a mesma vida de antes. A Fundação Casa de nada adiantou então?
Elas não são mais meninas, cresceram rapidamente. Agora são mulheres. As 28 mulheres que entraram e mudaram a minha vida.
Postado por Heloisa Emy às 16:19 9 comentários
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Penso naquele dia, naquele momento. As suas palavras tão carregadas de sentido e sentimento quando você disse adeus.
"E a gente vai se encontrar...
Não importa em que esquina eu me perca, em que viela eu me esqueça.
Na vida é assim, a gente encontra e desencontra... consigo e contigo.
Nunca foi tão breve meu caminho. Nunca foi, não, nunca.
Nos passos do tempo eu me entendo...
Não me espere. Quando a gente espera, a gente se desespera.
Desesperar nos dois sentidos. Naquele primeiro, da palavra em si: desesperar, enlouquecer, esvainecer; que traz angústia e medo. E aquele outro, quando desintegramos a palavra: des-esperar = não esperar
Então o próprio deseperar já nos diz que não é para esperar pois ele causa loucura, devaneios...
A desesperança, lembra?
A maré está alta e o vento está forte. E eles me levam hoje.
Por favor, não chore..."
As suas mãos, trêmulas, me tocavam o rosto. Um olhar vazio, é a única coisa que vejo.
E suas palavras vão perdendo o sentido da razão
"Não sinta medo. Eu não sinto. Alías eu não sinto mais nada. A esse mundo não pertenço mais.
E se insistir em ficar, vou me perder, perder a paz. Paz que eu insisto em encontrar.
A música diz: só precisamos respirar.
Me falta ar, num mundo cheio de O2 e CO2"
Sua voz já falha... E ninguém percebeu que atrás daquele sorriso escorria uma lágrima. E a lágrima era de sangue, a lágrima era do nosso sangue. Não azul, mas um vermelho forte, quase preto.
"O achincalhado palhaço que chora manchado de sangue." TARDIVO, R. Essa frase nunca fez tanto sentido como faz agora... Intensa, pesada!
Agora as lágrimas são minhas...
"Não chore. Não sinta medo. Nada mais preciso. Assim como o vento leva, o vento traz. Vejo você, agora de longe, estendendo uns lençóis no varal. Crianças, nossas crianças, brincando entre eles. Que risada gostosa!
É entre esses lençóis brancos, estendidos em área aberta, com a grama verde recém cortada e um céu azul, que acontecem os encontros, mesmo que não reais, mas subjetivos.
Num dia, quando você menos esperar, eu vou aparecer por entre esses lençóis... porque a gente vai se encontrar."
Você se foi, mais cedo do que nunca. Te espero? Não sei, mais ainda sim me desespero! O tempo fechou, mas mesmo assim há lençóis no varal todos os dias.
Postado por Heloisa Emy às 00:55 13 comentários
sábado, 29 de novembro de 2008
os violinos tocam
Já era noite quando eles se encontraram. 7 horas era o combinado, ela chegou 15 minutos atrasada como de costume. Mas hoje ele não está com a paciência e o bom humor de sempre, está aflito. Ao invés de palavras doces e aquele delicado beijo, trocam apenas olhares, frios. Ele solta apenas duas palavras, soltas, separadas de qualquer contexto: "de novo".
Entram no restaurante, o maitre já os conhece, sorri.
A tensão entre eles está perceptível aos olhos de todos.
A mesa está pronta. Eles entram. Hoje ele não puxou a cadeira. Enquanto ela se ajeita, ele já vai pedindo a bebida.
- Que pressa é essa, ela pergunta.
Só o silêncio responde, aquele silêncio que dói, que transforma os minutos em horas, aquele silêncio que agonia.
O garçom traz Whisky com gelo para ele. O casal já tem o pedido.
Agora é a espera. Ela insiste numa conversa.
- Como foi o trabalho, meu bem?
A princípio, ele nada responde. Alguns segundos se passam e ele responde cortando a conversa:
- Dia difícil.
Silêncio. Aquele mesmo citado anteriormente.
Nervosa, com a mão direita brinca com o guardanapo de pano, que logo coloca em seu colo.
Ele permanece sério, quase não se move.
Ela olha para os lados, para cima, para baixo. Para ele...
- Desculpe-me pelo atraso. Foi o trânsito.
Ele nada responde.
Ela volta a falar.
- Foi o trânsito, eu juro. Tentei sair mais cedo do trabalho mas não consegui.
Ele nada responde.
- Você não vai responder? Estou falando com você.
Ele nada responde.
Ela finalmente se cala, e resolve esperar em silêncio pela comida.
A comida finalmente chega.
A raiva, a tensão, a angústia, ou seja lá o que eles estavam sentindo, já tomou conta do espaço que os separam.
Ela tenta comer.
Ele mal a olha. É como se estivesse sozinho. Em seu rosto não há movimento, não há expressão.
Ela, cabisbaixa, com o garfo na mão, mexe a comida. Já não tem fome, não tem mais vontade de comer. Está triste, pensativa. "será que ele não me vê?!"
Ele acaba de comer e pede a conta, sem mesmo perguntar a ela se havia terminado.
Levantam, caminham até o lado de fora do restaurante, onde esperam o manobrista trazer os carros.
Lá, ele a veste delicadamente com seu casaquinho. Chega perto de seu ouvido e diz algumas poucas palavras.
Os olhos dela se enchem de lágrimas, e antes que elas pudessem escorrer pelo seu rosto, seus olhos são fechados e eles se beijam...
os violinos voltam a tocar
Postado por Heloisa Emy às 23:24 4 comentários
sábado, 22 de novembro de 2008
10 horas da manhã
Ela entra na sala. Eles sentam um de frente para o outro. Conversam...
Passa 1 hora, e ela sai como entrou
1 hora se olhando, 1 hora trocando palavras, 1 hora perdida...
Volta para casa, volta para sua vida, vazia. Sem expectativas, sem rumo, sem sentido... instintivo!
Permita-se, digo.
10 horas da manhã
Ela entra na sala. Dia diferente. Ela trouxe tanta coisa pra falar. Mas não falou.
Como sempre sentaram um de frente para o outro. Não só conversaram... viveram.
Passa 1 hora, e ela sai, como nunca havia saído antes
1 hora se olhando, 1 hora aprendendo, 1 hora... ah, muito obrigada, realmente foi um presente!
Volta para casa, volta para a sua vida, viva. Pensativa, nova, diferente... bem estar!
Permita-se! Vivo.
Postado por Heloisa Emy às 12:05 4 comentários
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sábado, 8 de novembro de 2008
Hoje venho escrever nua
venho despida de qualquer preconceito
com uma suavidade na voz
e uma paz no coração
Hoje desapego de todas as minhas crenças e meus beliefs
sinto um frio que se mescla com o calor do meu coração
e de repente sinto um vazio
Está chovendo lá fora
eu saio e as lágrimas se (con)fundem com as gotas
fazia tanto tempo que eu não tomava chuva
respiro fundo, olho para cima e fecho os olhos
tudo que tinha sentido, deixou de fazer
e tudo que não fazia, passou a ter
Postado por Heloisa Emy às 23:20 9 comentários
Marcadores: Just me
domingo, 12 de outubro de 2008
mente;
eu preciso que ela funcione
e se isso acontecer...
lágrima;
eu preciso que ela caia...
e que leve com ela esta angústia
que me toma por inteira
olhos;
eu preciso que você abra
e veja a graça do mundo
novamente
coração;
eu preciso que ele bata(não só por bater)
eu preciso que ele traga
a minha vontade de viver
Não é uma poesia, nem uma tentativa, é só um meio de jogar no mundo, o que não cabe mais aqui. Um pedido, S.O.S., sem forças...
Mente;
que me leve
e quando isso acontecer...
Olhos;
que estejam bem fechados...
Lágrimas;
não precisam mais escorrer...
Coração;
pronto, pode parar bater...
Postado por Heloisa Emy às 22:56 8 comentários
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
O mundo está de pernas pro ar. Que mundo? O meu ou o seu? De novo, tudo ao contrário. Menino que medo. Tudo é brinquedo. Na mão de um, de dois. Cadê o sentido?
Olha João! Menino dos olhos, está em meus sonhos... Bola, palhaço... sorriso de aço. Tudo é festa. Mas ele não entra porque é de plástico. Uma diferença sutil... De novo pergunto, cadê o sentido?
Sentido da vida. Me perdi. Mas dessa vez não foi para encontrar alguém. De alguéns estou farta. De mim que preciso. Cuidar. As flores estão por aí. Se rimei, foi por acaso. De caso em caso, perdi o sentido.
E de quem ele é? Perdi a razão. Que sorte! De surto em surto rabisco o mundo. Que medo! Já é primavera e o frio está chegando. Que loucura!
Assisto a um filme de guerra. Comercial. Tanques russos atancando outro país. Pera aí. Voltou o filme? Não, é o noticiário. Pronto, agora vem uma propaganda com mulheres semi-nuas de uma cerveja qualquer, para amenizar a notícia anterior. Agora pergunto, de quem é a loucura e cadê o sentido? Do mundo...
Olhos azuis ou seriam verdes? Me olhe além dos olhos, e me veja no ponto cego da sua retina. Sou mais do que isso. Me veja por dentro.
O que acontece comigo? De tempos em tempos, começo tudo de novo.
Madalena... seu pranto originou uma música. E seu nome descolou do papel e virou sujeito. De que jeito? Menina, criança, sua inocência é a esperança do mundo.
E o meu pranto? Aonde dará?
A verdade é de quem?
Bate bola, bate papo. Um papo controverso. O inverso é sensato.
A lógica da mente é a loucura dos povos. Sem razão. Cadê meu chão?
Shiuu! Faça silêncio. A menina precisa dormir. O pecado já é esperado. Maria não brinca mais de peteca. Só peca? A infância já virou adolescente e o adulto não cresce mais.
"Nos deram espelhos e vimos um mundo doente." Cadê a praga que mata? De epidemias a pandemias, nasce o lirismo torto do mais novo pós-modernismo estampada nas telas de LCD. E as crianças vidradas assistem a tudo. Cadê o pensamento? Ninguém sente. Ninguém vê.
Postado por Heloisa Emy às 16:20 13 comentários
domingo, 14 de setembro de 2008
e ao F.Y.M.
chegar até a praia e ver
se o vento ainda está forte
e vai ser bom subir nas pedras
sei que faço isso pra esquecer
eu deixo a onda me acertar
e o vento vai levando tudo embora...
agora está tão longe
vê, a linha do horizonte me distrai[...]
existe algo que diz,
que a vida continua
e se entregar é uma bobagem
já que você não está aqui,
o que posso fazer é cuidar de mim
quero ser feliz ao menos
lembra que o plano era ficarmos bem?
e o vento vai levando tudo embora...
Postado por Heloisa Emy às 01:42 6 comentários
Marcadores: música
domingo, 7 de setembro de 2008
O telefone tocou. Alô? Manhê, é pra você. É um tal de Maldonado. Conversaram, vi uma certa preocupação. Ela ligou para o meu pai, conversaram. Em seguida ligou para o meu avô!
O que aconteceu mãe?
Fui viajar para São José nessas férias e não sabia exatamente o que ou quem ia encontrar lá. Nove anos lá e oito anos cá. Acordei assim que entramos na cidade, com o chacoalhar do carro por causa do paralelepípedo. Há muito tempo não acordava sorrindo, mas dessa vez os meus olhos sorriam comigo!Chegando lá, fui envolvida por uma brisa de gostosas lembranças. Tudo e nada estavam como há 8 anos...
(In)felizmente vendemos a casa. A casa onde cresci. O palco mais importante da minha vida. Ainda não sei dizer se foi bom ou não, pois a casa era como um vínculo com a cidade, um vínculo direto com o meu passado. Ao entrar na casa, toda empoeirada, senti uma coisa muito estranha. Como se cômodos dela me trouxessem de volta os cômodos preenchidos, como eram antigamente... Eu vi a parede que juntava a diferença fazendo de lá um lugar só. Uma caixinha de surpresa, cheia de brinquedos, aventuras, historinhas e muita gargalhada. Vi o vão da porta da cozinha, que eu e a Ka subíamos...
Várias vezes uma teimosa lágrima tentou escapar de meus olhos...
Subi lá no terraço e olhei a cidade de cima. Respirei fundo: ar limpo! E fiquei olhando, até onde meus olhos conseguiam alcançar.
Tanto a casa como a cidade testemunharam muita coisa, tantas estórias e brincadeiras, testemunharam a vida sendo vivida do jeito que tem que ser.
Para muitos é só mais um texto sobre o passado desconhecido de alguém, que só fazem sentido para quem conhece, acompanhado por fotos mal tiradas. Mas para mim é muito mais que isso. Sou fruto do meu passado, sou fruto dessas fotos, e só com sua existência pude preencher este espaço.
Falo muito do meu passado e me prendo muito a ele. Um problema, eu sei. Do presente sinto falta da vida que me fazia viva.
Enfim, ainda volto pra te visitar, minha querida cidade semi-natal!
E na volta, deixei que a lágrima caísse... e fui cantarolando na minha cabeça "e lá de longe, a gente ouvia a tuba do Serafim..."
Postado por Heloisa Emy às 22:44 7 comentários
Marcadores: lembranças
domingo, 24 de agosto de 2008
quero gritar pro mundo e desabafar
e dizer o mal que você me faz
estava finalmente conseguindo
caminhar com minhas próprias pernas
estava finalmente conseguindo
andar de cabeça erguida
estava finalmente conseguindo
não pensar em você todos os dias
quando a vida vai de mal a pior,
você consegue piorar
só de me ligar
de todos os homens
que conheci
e de alguma forma de me relacionei
você, de longe
foi o que mais odiei
me amou
cuidou de mim
se preocupou,
demais
me mimou
pra que me ligou?
por que tudo aquilo falou?
se nos braços dela ficou?
de que adianta não me esquecer
se com ela você quer viver?
quero te odiar
quero te cuidar
te quero
te amo
te espero
será?
o maior deles,
de todos os problemas,
é que não tem porque te odiar
você não fez mais nada
além de me amar
com você,
um sonho vivi
com você,
ser feliz aprendi
e quando juntos
estávamos
sempre falávamos
"e o que a gente tem vai ser pra sempre"
e antes de desligar
e ainda é...
Postado por Heloisa Emy às 13:14 7 comentários
Marcadores: talvez um poema
domingo, 10 de agosto de 2008
Me afastei um pouco do blog, falta de inspiração, bloqueio mental, baixa auto-estima e por aí vai. Obrigada pelos fiéis leitores. Estou de volta! Tentarei postar com mais freqüência... Bom, dia dos pais está aí. E vi nisso uma oportunidade para tentar voltar a escrever e ainda fazer uma dedicatória a ele, meu tutor, meu amigo, meu pai.
Papito, aí vai!!
É difícil falar sobre você, sobre o homem que me criou, que me ensinou a dar os primeiros passos, e a caminhar sozinha.
Você é meu pai há 20 anos, mas é pai há 22 ou um pouquinho mais. Acho que se tornou pai quando soube que a mãe estava grávida. Tão novos, mas souberam administrar bem e nos criar da melhor forma possível.
Vejo tantos tipos diferentes de pais, uns ausentes e outros presentes, amigos e ditadores. E também tantos tipos de filhos, amigos, companheiros. Rebeldes, distantes, fechados. Estudiosos, outros preguiçosos. Bagunceiros, organizados.
Não sei em qual tipo de filha eu me encaixo. Já fui um pouco de cada, e outros ainda sou. Mas sei exatamente o tipo de pai que você é: presente, bravo e estressado (quando necessário, na maioria das vezes), organizado, trabalhador, dedicado àquilo que faz, profissional, cozinheiro, amigo, conselheiro, e acima de tudo, pai! O meu pai. O pai que não dá pra descrever em adjetivos ou substantivos. Porque é mais que isso, é meu, é meu pai. É o homem em quem eu confio. O homem em quem eu acredito. O homem que me apoia, que me fortalece, que me estima, que me faz rir, que brinca comigo e briga também. Sei que tudo o que falou para mim em todas as conversas, brigas e discussões foram para o meu bem. Você almeja o meu melhor, sempre. E eu te agradeço hoje, em especial, nesse dia, talvez só comercial, mas é o dia que você pode chamar de seu. Você criou duas filhas que, modéstia a parte, se tornaram ótimas pessoas. Graças a você e a mãe.
Vocês são os pilares mais importante de nossas vidas. Tenho certeza que posso falar isso pela Ka, ela até poderia acrescentar detalhes a mais e dar graça e alegria a esse texto, assim como ela faz em todos os momentos de nossas vidas.
Enfim, você não sabe a honra que é ser sua filha e poder te chamar de pai todos os dias.
Poderia escrever inúmeras linhas e tentar fazer uma dedicatória mais bonita e perfeita que essa. Mas vou aproveitar o meu tempo, o nosso tempo que está se tornando cada vez mais escasso, mas que não hei de deixar que ele se acabe.
Amo você! Ou melhor, amamos você ^^
Postado por Heloisa Emy às 00:12 9 comentários
Marcadores: homenagem
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Tela em branco
Pegue o seu pincel e comece a pintar a tela
Certa vez ouvi a seguinte frase: a vida é da cor que você pinta.
Em branco, tenho certeza que minha tela não está. Mas, de que cor eu tenho pintado a minha vida?
Quem dá significado às cores, me explique, por favor, que cor é essa que preenche meus dias de angústia e tristeza? Que cor eu devo pintar meus dias daqui para frente?!
Qual a cor da dor, qual a cor do amor, qual a cor da liberdade, qual a cor da falta dela, qual a cor do desejo, qual a cor do pecado, qual a cor do verão, qual a cor do inverno, qual a cor do hoje, qual a cor do amanhã? Sempre há, pelo menos, duas cores para cada objeto de estudo. A cor do antes e a cor do depois. A cor do seu significado e do seu significante.
A minha tela não é composta apenas por mim, mas eu escolho quem irá fazer parte dela. E escolhas sempre são escolhas, há 50% de chance de acerto e 50% de chance de erro. A margem de erro é de acerto é igual, basta arriscar. Não existe um "liquid paper" para a tela da vida. E também não adianta lamentar a vida toda por um risco fora do lugar. Eu deixei que ele fosse feito, e pode ser que eu mesma o tenha feito. Ele está lá. A vida foi marcada, e assim ela será por riscos certos ou errados, programados ou não.
Nem sempre terei um pincel a mão, e quando não o tiver, pintarei a dedo. Acredito que ninguém nasceu artista, mas todos morrerão como um.
A tela que eu pinto nada mais é que o retrato da minha própria vida. Chego a pensar que não pintamos uma tela só, são telas e telas para, no final da vida termos uma pinacoteca.
A cor é a essência. A cor é a vida. E ao mesmo tempo, ela é a morte.
A cor da última pincelada, é na verdade, todas as cores juntas, que pode ser, ou branca ou preta. A luz branca é a mistura de todas as cores, como no Disco de Newton, mas a junção de todas também pode ser preta, mas o modo de ver é diferente para cada um.
Se tirasse uma foto agora, qual seria a cor do meu retrato? Eu estou bem nele? Que cor transparece?
Postado por Heloisa Emy às 17:14 14 comentários
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Mundo invertido
Li um texto que escrevi em 2005, logo após uma crise. Peguei sua estrutura, idéia principal, transformei-o e o atualizei...
Começava questionando o seguinte: “As pessoas pedem para eu sorrir, para eu ser feliz, mas por quê? Por que temos que ser felizes, por que temos que ser o que o mundo quer e não o que desejamos ser?” Agora eu indago a minha própria questão; e se eu for o que eu desejava ser, isso me fará feliz? E referente à felicidade da primeira frase, não tem que ser feliz, não é uma obrigação. Mas é o modo mais fácil de encarar a vida, seus problemas e obstáculos, e vivê-la em sua plenitude.
Não quero parecer uma rebelde sem causa, ou com causa. Só questiono retoricamente sobre estes assuntos que já foram muito discutidos. Eles me indignam, eles me inquietam, e ainda mais agora que estou abrindo os meus olhos para o mundo e me tornando uma jovem pensante e crítica (para o bom sentido).
“O mundo é cheio de regras e normas, por que temos que segui-las?” Ora, sem elas o mundo estaria literalmente de pernas para o ar, invertido, do avesso, ao contrário e todos seus sinônimos. Mas uma coisa que me incomoda com essa inversão do mundo, é o fato do respeito, da compreensão, da ética, estarem escassos. As pessoas não entendem umas as outras e “pré-julgam” sem terem condições de fazê-lo. Criticam uns aos outros sem olhar para o seu próprio erro. Você faz parte do todo, diz Morin. Não olhe só para o seu umbigo, o mundo é mais que você. Saia do seu próprio mundo, aprenda sobre a vida, para um dia você conseguir chegar a conclusão que não sabe nada e motivar-se a estudar mais para saber menos. Quanto mais se estuda, mais se aprende sobre o mundo, e percebe o quão grande ele é.
O mundo é um só, então por que dividi-lo em classes? A globalização foi feita para juntar ou para elitizar mais?
Nesse mesmo texto eu questionava sobre a validade da vida e escrevi: “Para que nós devemos viver? Nascemos, brincamos, descobrimos a vida, crescemos aos poucos. Estudamos, casamos, temos filhos, trabalhamos e morremos. Você já pensou na vida desse jeito, será que vale a pena? A gente faz tudo isso para no final morrer?”
Agora eu mesmo respondo: se desde o momento que nascemos pensarmos na morte, acabamos não vivendo. Eu via a vida como algo mecânico. Lógico que viver vale à pena. A vida é mágica. E descobrir os nossos semelhantes é fascinante! Ver que algo que você disse repercutiu em alguma ação ou pensamento positivo é muito gratificante. Dar risada com os amigos, ver filmes, ler, brincar, dormir, sorrir, sorrir muito, chorar, odiar, amar... todos estes verbos no infinitivo nos mostram que estamos vivos! Fazem-nos viver. Não só viva a vida, sinta!
O tempo passou, eu cresci e a angústia comigo. Estou prestes a desistir, desacreditada estou, que um dia ela vai embora. Ainda tenho um medo absurdo de crescer. De olhar para fora, de caminhar com as minhas próprias pernas. Mas o tempo não pára.
Termino falando novamente da felicidade (ela está em todos os momentos). “Em que parte da vida a gente realmente é feliz?! A felicidade das pessoas é real? Vivo num mundo de mentiras, falsidades que todos aprenderam a conviver.”
A maioria das pessoas são falsas em algum momento, com elas mesmas e com as outras pessoas. Umas se acostumaram tanto, que a sua falsidade é a sua realidade e aquela é uma mescla dos dois. Mas a felicidade não tem muito a ver com isso, eu acho. Deixe os problemas de lado, se preocupe menos com o que o outro vai pensar sobre você e carpe diem!! (Se um dia descobrir como se faz isso, me conte, por favor!)
Cada um tem a sua felicidade e o seu motivo para ser feliz. Não sei se existe alguém que seja feliz, mas acho que existe alguém que está feliz. Este alguém pode estar feliz quase o todo tempo, mas ainda sim existe a diferença entre ser e do estar!
Uma vez ouvi falar sobre a comparação do clima e do tempo para com a diferenciação da auto-estima da depressão. Ajusto a comparação e (re) defino: penso na nossa vida como sendo o clima de uma determinada região, ele ordena como ela prossegue ao longo do ano, por anos a fio. As estações, então, correspondem ao nosso estágio de humor. E o tempo sendo a pequena variação que ocorre para o clima da região; para o nosso humor. É o tempo que guia a nossa vida. Ele muda constantemente, mesmo dentro de um determinado clima. Somos uma "metamorfose ambulante”, já dizia Raul.
Postado por Heloisa Emy às 03:49 7 comentários
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