sexta-feira, 3 de julho de 2009
Postado por Heloisa Emy às 10:37 10 comentários
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quarta-feira, 13 de maio de 2009
Durmo com a certeza que te tenho em meu ventre...
Sinto-te tão internamente.
Quero te proteger, então me encolho e te envolvo em meus contornos.
Te olho e meus olhos se enchem de lágrimas, quero te tocar, hesito. Não consigo, e por que não?
Logo eu que nunca te quis, na verdade ainda não quero, então talvez seja por isso. Agora é você quem olha, e nada mais importa, te tenho em meus braços. E sinto que você foi o que eu sempre esperei.
É você pequena, é você que completa meu vazio. Eu, sujeito faltante, você, objeto de desejo, meu grande outro. Para você, sou eu seu grande outro, quem te completa. Somos um só.
A dor nos braços da perda do filho, de tanto esticá-lo para alcança-te, te procuro, mas não te encontro.
Dizem-me:
- Não percebe? Ele já foi muito antes de ter chegado.
Outros
- Não vê? Ele não existe mais, virou pó.
Quando foi que te tiraram de mim, quando foi que te perdi? Foi na imensidão da vida, por entre meus dedos ou num piscar de olhos?
É difícil falar do que não se tem, mas mais difícil é sentir o que não existe. É inaceitável saber que não passou de um sonho. E que jamais vou poder te envolver nos braços, preencher todo espaço, e meu vazio.
Choro calada. As lágrimas escorrem pelo meu rosto de expressão vazia, antes tomado pela calma e alegria ao ver seus movimentos desajeitados e seu sorriso.
Deito, encolhida, com os joelhos em meu queixo, banhada em lágrima e sangue, e ainda te sinto.
Acordo com a tristeza de um ventre murcho e de braços vazios.

Postado por Heloisa Emy às 00:10 13 comentários
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domingo, 15 de março de 2009
As vinte e oito mulheres
Já tive que escrever redações autobiográficas, e na minha opinião, é difícil falarmos quem somos. Somos a junção de tudo, filho de um, pai de outro. Vizinho daquele, amigo desse. O que realmente nos torna únicos é aquilo que chamamos de essência. Há quem acredite que ela é construída, outros acham que nascemos com ela.
Já eu, acredito que nascemos com ela, e que, também, a construímos; um pouco de cada.
Nunca, como hoje, vi a importância que o meio tem na vida de alguém.
O que foi que aconteceu?
Onde foi que vidas seguiram caminhos tão opostos, onde foi que houve a separação? De quem foi a culpa? De quem é o medo?
A maioria delas mal sabe escrever. Mas já sabem de drogas, sabem vender, sabem se vender pra conseguir comprar. Comprar seu vício, sua droga, sua “saída”...
Lendo seus textos, não me pareceram reais. São meninas cheias de sonhos, cheias de culpa, cheias de amor.
Se não todas, mas a maioria relata da sua saudade de casa, da mãe, do colo.
Foi proteção que faltou, foi carinho?
Nem todas têm uma família desestruturada, nem todas são filhas de criminosos, traficantes ou alcoólatras. Todas são filhas, e quase todas são mães.
Naquelas folhas soltas de caderno, havia a infância perdida, havia sonhos... No canto, desenhos de corações, flores, e mimos. Lá se via um futuro, futuro desejado, mas não um certo. “Quando sair daqui vou voltar a estudar”, “quero ser veterinária”, “quero ser médica”, quero ser isso, quero fazer aquilo.
Talvez seus sonhos venham a se realizar um dia, talvez não.
Não posso julgar qual modo de levar a vida é mais fácil, é melhor. Até agora só conheço o meu.
Ter contato com vocês me trouxe um grande aprendizado e senso de realidade. Deixemos de olhar para nosso próprio umbigo, levantemos a cabeça. O mundo está aí e a diversidade nele.
Vinte e oito! Essa é uma pequena amostra das jovens criminosas do Estado de São Paulo.
“Ele tava de joelho, implorando pra viver. A arma tava na minha mão. O meu dedo escapou e apertei o gatilho. [...] O que é uma vida?” Parte integrante de uma das redações. Esta foi a que mais me impressionou. A única que questiona a existência de Deus, enquanto as outras acreditam piamente nele.
Não entendo o amor pelas mães que elas têm, não entendo porque continuar com alguém que te levou para esta vida e que te bate constantemente, não consigo entender porque a maioria dessas meninas voltam para a mesma vida de antes. A Fundação Casa de nada adiantou então?
Elas não são mais meninas, cresceram rapidamente. Agora são mulheres. As 28 mulheres que entraram e mudaram a minha vida.
Postado por Heloisa Emy às 16:19 9 comentários
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Penso naquele dia, naquele momento. As suas palavras tão carregadas de sentido e sentimento quando você disse adeus.
"E a gente vai se encontrar...
Não importa em que esquina eu me perca, em que viela eu me esqueça.
Na vida é assim, a gente encontra e desencontra... consigo e contigo.
Nunca foi tão breve meu caminho. Nunca foi, não, nunca.
Nos passos do tempo eu me entendo...
Não me espere. Quando a gente espera, a gente se desespera.
Desesperar nos dois sentidos. Naquele primeiro, da palavra em si: desesperar, enlouquecer, esvainecer; que traz angústia e medo. E aquele outro, quando desintegramos a palavra: des-esperar = não esperar
Então o próprio deseperar já nos diz que não é para esperar pois ele causa loucura, devaneios...
A desesperança, lembra?
A maré está alta e o vento está forte. E eles me levam hoje.
Por favor, não chore..."
As suas mãos, trêmulas, me tocavam o rosto. Um olhar vazio, é a única coisa que vejo.
E suas palavras vão perdendo o sentido da razão
"Não sinta medo. Eu não sinto. Alías eu não sinto mais nada. A esse mundo não pertenço mais.
E se insistir em ficar, vou me perder, perder a paz. Paz que eu insisto em encontrar.
A música diz: só precisamos respirar.
Me falta ar, num mundo cheio de O2 e CO2"
Sua voz já falha... E ninguém percebeu que atrás daquele sorriso escorria uma lágrima. E a lágrima era de sangue, a lágrima era do nosso sangue. Não azul, mas um vermelho forte, quase preto.
"O achincalhado palhaço que chora manchado de sangue." TARDIVO, R. Essa frase nunca fez tanto sentido como faz agora... Intensa, pesada!
Agora as lágrimas são minhas...
"Não chore. Não sinta medo. Nada mais preciso. Assim como o vento leva, o vento traz. Vejo você, agora de longe, estendendo uns lençóis no varal. Crianças, nossas crianças, brincando entre eles. Que risada gostosa!
É entre esses lençóis brancos, estendidos em área aberta, com a grama verde recém cortada e um céu azul, que acontecem os encontros, mesmo que não reais, mas subjetivos.
Num dia, quando você menos esperar, eu vou aparecer por entre esses lençóis... porque a gente vai se encontrar."
Você se foi, mais cedo do que nunca. Te espero? Não sei, mais ainda sim me desespero! O tempo fechou, mas mesmo assim há lençóis no varal todos os dias.
Postado por Heloisa Emy às 00:55 13 comentários
sábado, 29 de novembro de 2008
os violinos tocam
Já era noite quando eles se encontraram. 7 horas era o combinado, ela chegou 15 minutos atrasada como de costume. Mas hoje ele não está com a paciência e o bom humor de sempre, está aflito. Ao invés de palavras doces e aquele delicado beijo, trocam apenas olhares, frios. Ele solta apenas duas palavras, soltas, separadas de qualquer contexto: "de novo".
Entram no restaurante, o maitre já os conhece, sorri.
A tensão entre eles está perceptível aos olhos de todos.
A mesa está pronta. Eles entram. Hoje ele não puxou a cadeira. Enquanto ela se ajeita, ele já vai pedindo a bebida.
- Que pressa é essa, ela pergunta.
Só o silêncio responde, aquele silêncio que dói, que transforma os minutos em horas, aquele silêncio que agonia.
O garçom traz Whisky com gelo para ele. O casal já tem o pedido.
Agora é a espera. Ela insiste numa conversa.
- Como foi o trabalho, meu bem?
A princípio, ele nada responde. Alguns segundos se passam e ele responde cortando a conversa:
- Dia difícil.
Silêncio. Aquele mesmo citado anteriormente.
Nervosa, com a mão direita brinca com o guardanapo de pano, que logo coloca em seu colo.
Ele permanece sério, quase não se move.
Ela olha para os lados, para cima, para baixo. Para ele...
- Desculpe-me pelo atraso. Foi o trânsito.
Ele nada responde.
Ela volta a falar.
- Foi o trânsito, eu juro. Tentei sair mais cedo do trabalho mas não consegui.
Ele nada responde.
- Você não vai responder? Estou falando com você.
Ele nada responde.
Ela finalmente se cala, e resolve esperar em silêncio pela comida.
A comida finalmente chega.
A raiva, a tensão, a angústia, ou seja lá o que eles estavam sentindo, já tomou conta do espaço que os separam.
Ela tenta comer.
Ele mal a olha. É como se estivesse sozinho. Em seu rosto não há movimento, não há expressão.
Ela, cabisbaixa, com o garfo na mão, mexe a comida. Já não tem fome, não tem mais vontade de comer. Está triste, pensativa. "será que ele não me vê?!"
Ele acaba de comer e pede a conta, sem mesmo perguntar a ela se havia terminado.
Levantam, caminham até o lado de fora do restaurante, onde esperam o manobrista trazer os carros.
Lá, ele a veste delicadamente com seu casaquinho. Chega perto de seu ouvido e diz algumas poucas palavras.
Os olhos dela se enchem de lágrimas, e antes que elas pudessem escorrer pelo seu rosto, seus olhos são fechados e eles se beijam...
os violinos voltam a tocar
Postado por Heloisa Emy às 23:24 4 comentários
sábado, 22 de novembro de 2008
10 horas da manhã
Ela entra na sala. Eles sentam um de frente para o outro. Conversam...
Passa 1 hora, e ela sai como entrou
1 hora se olhando, 1 hora trocando palavras, 1 hora perdida...
Volta para casa, volta para sua vida, vazia. Sem expectativas, sem rumo, sem sentido... instintivo!
Permita-se, digo.
10 horas da manhã
Ela entra na sala. Dia diferente. Ela trouxe tanta coisa pra falar. Mas não falou.
Como sempre sentaram um de frente para o outro. Não só conversaram... viveram.
Passa 1 hora, e ela sai, como nunca havia saído antes
1 hora se olhando, 1 hora aprendendo, 1 hora... ah, muito obrigada, realmente foi um presente!
Volta para casa, volta para a sua vida, viva. Pensativa, nova, diferente... bem estar!
Permita-se! Vivo.
Postado por Heloisa Emy às 12:05 4 comentários
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sábado, 8 de novembro de 2008
Hoje venho escrever nua
venho despida de qualquer preconceito
com uma suavidade na voz
e uma paz no coração
Hoje desapego de todas as minhas crenças e meus beliefs
sinto um frio que se mescla com o calor do meu coração
e de repente sinto um vazio
Está chovendo lá fora
eu saio e as lágrimas se (con)fundem com as gotas
fazia tanto tempo que eu não tomava chuva
respiro fundo, olho para cima e fecho os olhos
tudo que tinha sentido, deixou de fazer
e tudo que não fazia, passou a ter
Postado por Heloisa Emy às 23:20 9 comentários
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